Natação em águas abertas: esporte que une pertencimento, saúde e bem-estar
- Fabiana Araújo
- 8 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de nov. de 2025
Prática do esporte nas águas do Rio de Janeiro proporciona benefícios físicos, mentais e sociais para a vida dos atletas de maneira acessível
Nadar acompanha o ser humano desde a pré-história, quando era essencial para sobreviver, pescar e atravessar rios. Com o tempo, a prática se transformou em exercício físico e, hoje, vem ganhando força também no mar. Segundo o censo mundial da Federação Internacional de Natação (Fina), existem mais de 2,5 milhões de atletas registrados em natação de águas abertas, evidenciando o crescimento e a popularidade da modalidade.
Estudos recentes reforçam esse interesse: uma pesquisa publicada na revista Frontiers in Psychology mostrou que a natação em águas abertas pode proporcionar uma sensação de relaxamento e bem-estar, além de ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão. No Brasil, praias e lagoas se tornaram espaços de treino para quem busca pertencimento, saúde e bem-estar, em contato com a natureza.
No Rio de Janeiro, a Praia do Flamengo é um dos pontos onde essa modalidade se fortaleceu, atraindo tanto iniciantes quanto praticantes experientes. Pela primeira vez, em quatro décadas, a praia está totalmente própria para banho, segundo medições do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ali, surgiu a Cria do Mar, iniciativa que propõe tornar o mar um espaço acessível a todos.
Para o pedagogo Higor Linhares, fundador do projeto, a proposta é acolher diferentes histórias de vida:
“Cada aluno chega com um ritmo, uma expectativa e até memórias da infância ligadas à água. Nosso papel é ouvir e planejar aulas que respeitem essa diversidade.”
Os relatos dos alunos ajudam a entender o impacto da prática. Polyana Esteves, por exemplo, buscava apenas recuperar resistência física, mas acabou encontrando algo além:
“No começo, queria só não me cansar ao subir escadas, mas as aulas me trouxeram tranquilidade e um novo jeito de lidar com a correria do dia a dia. Quando entro no mar, só penso na respiração e nos movimentos. É um mergulho no presente.”
Já a Jenifer Silva viu na natação em águas abertas a chance de transformar uma lembrança dolorosa em superação:
“Quando era criança, precisei de ajuda e uma piscina funda. Não entrei em pânico, mas aquilo me marcou. Sempre gostei de praia e mar, e aprender a nadar nas águas abertas foi unir duas coisas que sempre fizeram sentido para mim.”
Outro destaque importante que a escola promove é a sensação de pertencimento, que, para Higor, é construída através do acolhimento de cada aluno:
“Tanto o atendimento nas redes sociais quanto o presencial têm o cuidado de dialogar com cada um. Na escola, são desenvolvidas atividades colaborativas e conversas constantes antes e depois das aulas que ajudam a construir um senso de comunidade.”

Atletas em preparação para o início da aula no mar. (Foto: Fabiana Araujo)
Para Polyana Esteves, isso é construído no dia a dia das aulas, e relações formadas na base do cuidado têm tudo para dar certo:
“Há um tempo eu estava procurando minha turma e acho que encontrei isso na Cria do Mar. É tão bom chegar e ser recebida com abraços, beijos, aquele ‘como você está?’. A conversa vai fluindo, a gente se arruma para começar a aula, ri um pouco no aquecimento e tudo fica mais leve.”
Para Jenifer Silva, o clima da escola é muito acolhedor, bem diferente de uma escola tradicional:
“A sensação de pertencimento é clara: não há preconceito, todo mundo se ajuda, coopera e colabora. Isso, para mim, é o mais encantador, mais até do que aprender a nadar. É fazer parte de algo maior, de uma coletividade. Esse espírito tem tudo a ver com o que acredito e com as ações que levo para minha vida. É muito bom.”
Mais do que um esporte, a natação em águas abertas tem se mostrado uma experiência de saúde física, acolhimento emocional e fortalecimento comunitário. Em tempos de rotinas aceleradas e crescentes desafios de saúde mental, iniciativas como a Cria do Mar mostram que estar no mar pode ser, também, um mergulho no pertencimento.
Publicado por Miguel Ferreira
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