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“Agora seu povo pede o mundo de novo”

  • Tomaz Ramos Calixto
  • 17 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025

Em reta final de temporada, Flamengo disputa o torneio Intercontinental de Clubes


Imagem: Tomaz Calixto/Copilot


Após a conquista da Libertadores da América, a equipe de futebol do Flamengo conquistou o direito de disputar o torneio Intercontinental de Clubes de 2025. Após as vitórias contra a equipe mexicana Cruz Azul e a equipe egípcia Pyramids, a final desta edição é contra o Paris Saint-Germain (PSG), atual campeão europeu. A oportunidade de jogar novamente um mundial simboliza um momento histórico de representatividade e protagonismo do clube. Além disso, após um ano de intensos momentos e conquistas, a equipe brasileira chega ao Qatar com a ambição de conquistar o torneio pela segunda vez.


O mundo de novo

Em uma das canções mais conhecidas e cantadas pela torcida durante os jogos, ecoa-se nos estádios: “Agora seu povo pede o mundo de novo”. O Flamengo já conseguiu o feito de ser campeão do mundo, em 1981, possivelmente o maior ano da história da instituição. Entretanto, também já perdeu esse torneio, em 2019, na final contra o Liverpool da Inglaterra, por 1x0 e, em 2023, na semifinal contra o Al Hilal, da Arábia Saudita, por 3x2.


O fato é que uma equipe sul-americana não vence o torneio intercontinental desde 2012, no título do Corinthians e a disparidade econômica em relação às equipes europeias são significativas. Todavia, a equipe atual campeã do torneio nacional e da América do Sul vivencia um dos maiores anos de sua história, com um elenco formado por alguns jogadores com grande experiência internacional como Jorginho, Danilo, Alex Sandro, e outros já consagrados no clube e com experiência de Copa do Mundo como Pedro e Giorgian De Arrascaeta. Nesse contexto, o intercontinental serve como uma oportunidade de amplificar a relevância dos feitos de 2025, para os atletas, funcionários e a instituição de forma geral.


Um ídolo

Filipe Luís, hoje, técnico do Flamengo, também foi jogador do clube, multicampeão e tem um currículo extenso como atleta, com passagens e títulos por clubes como Atlético de Madrid, Chelsea e na seleção brasileira. Atuou por toda a sua carreira como lateral esquerdo, e disputou no mais alto nível do futebol, sendo, inclusive, vice-campeão da Champions League (liga dos campeões) pelo Atlético de Madrid em 2014 e 2016. Em entrevista concedida ao programa “Fala, Galvão” no YouTube, em 2023, Filipe declarou que o projeto de se tornar treinador já fazia parte de seu planejamento de carreira enquanto ainda atuava como jogador e confessou que uma das suas maiores ambições é conquistar a “Orelhuda”, como é carinhosamente chamado o troféu da Liga dos Campeões.


Além disso, o atual treinador é declaradamente flamenguista. Em sua despedida dos gramados como atleta em 2023, a torcida rubro-negra prestou uma homenagem, com uma bandeira reproduzindo a foto de Filipe com seu avô, que foi a influência para se tornar flamenguista, em um mosaico antes da partida contra o Cuiabá, pela 37ª rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano.


Filipe Luís é um ídolo e faz parte de um histórico de treinadores de sucesso do time, como Paulo César Carpegiani, Andrade e Jayme de Almeida, que foram atletas identificados com o clube e obtiveram sucesso esportivo atuando como treinador. A quarta conquista da Libertadores da América pelo Flamengo faz parte de um projeto esportivo, de reestruturação financeira e administrativa do clube, iniciado em 2012. A transformação vem sendo construída desde esse período, e em termos de resultado esportivo teve seu primeiro apogeu em 2019, com a conquista sobre o River Plate em uma final épica, vencida nos últimos minutos com dois gols de Gabriel Barbosa. Nos anos seguintes, o clube permaneceu como protagonista no continente, aumentando sua projeção internacional. Esse fator é relevante ao pensar na construção de ídolos, principalmente dos remanescentes dessa conquista, como Giorgian de Arrascaeta, Bruno Henrique e o próprio Filipe Luís, agora como técnico. Carinhosamente chamados de “geração de 2019” , esses jogadores representam a instituição e fizeram parte de todos os processos durante esses anos. Hoje, Bruno Henrique atua em uma diferente função, como centroavante e titular na ausência de Pedro; Arrascaeta é o protagonista, sendo artilheiro e maior assistente do time na temporada; e Filipe Luís, em seu primeiro ano como técnico, já possui conquistas e feitos significativos com o clube, como os títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil em 2024, além da vitória sobre o Chelsea por 3x1 em 2025 no Mundial. A última teve uma repercussão significativa, seja pelo fato de derrotar um clube europeu que viria a ser campeão do torneio, seja pela exibição em si, que justificou a vitória. Além disso, outro fato também impressionante é Filipe ser o primeiro técnico no Flamengo a completar uma temporada desde 2011, com o então treinador Vanderlei Luxemburgo.



Colossal Clube de Regatas do Flamengo

O título de 2025 do Flamengo torna o clube o maior campeão brasileiro de Libertadores. Além de prestígio e notoriedade, esse fato representa um novo momento, em que de fato é protagonista e “temido” pelos rivais. Até 2019, o Flamengo tinha disputado apenas duas semifinais e uma única final do torneio em 1981, quando foi campeão. Contudo, além desse fato, o clube até então colecionava momentos de decepções por eliminações constrangedoras, como em 2008, contra o América do México no Maracanã, na derrota por 3x0. Todavia, desde 2019, o clube já disputou quatro finais e foi o campeão em três oportunidades, em uma janela de sete anos. O último momento que um clube conseguiu tamanho protagonismo e soberania dentro do continente foi no início dos anos 2000, em que a equipe Argentina Boca Juniors foi campeã em quatro oportunidades ao longo de sete anos (2000, 2001, 2003 e 2007). Em virtude da magnitude desses feitos, consagrou para a história do futebol sul-americano figuras como Juan Roman Riquelme, Rodrigo Palácio e Martin Palermo.


O maior ano de sua história

A considerada “Geração de Ouro” do Flamengo, liderada por Zico, Júnior e Leandro, dominou boa parte da década de 80 no futebol brasileiro. Em 1981, teve seu maior feito, com a conquista do torneio sul-americano e mundial, com uma significativa vitória de 3x0 sobre o Liverpool. Todavia, para a instituição como um todo, o ano de 2019 também foi muito significativo, com as conquistas nacionais e continentais, a partir da prática do futebol dominante que estabeleceu o início de uma nova “geração” para a história do clube, com títulos e conquistas significativas nos anos seguintes. O ponto é que, em termos de títulos e feitos, a disputa do intercontinental oferece ao Flamengo a oportunidade de protagonizar o maior ano dentre os 130 da instituição. Em 1981, o clube não conquistou o campeonato nacional, e em 2019 foi derrotado na final do intercontinental. Nesse sentido, as partidas a serem disputadas no Qatar significam não apenas uma conquista esportiva, ganhos financeiros e repercussão internacional da marca. Esse torneio pode representar o roteiro ideal para que o ano de 2025, em termos de títulos, seja o maior da instituição. É a oportunidade de fazer e protagonizar a história. Portanto, como cantado pela torcida nos jogos: “Agora seu povo pede o mundo de novo.”


Publicado por Kamila Moura

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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