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Amor pelas quatro pequenas rodas

  • Juliana Araújo
  • 17 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025

Grupo de patins utiliza Parque Oeste para espalhar a prática do esporte na região


O Parque Oeste foi inaugurado em 2024 em Inhoaíba, bairro adjacente a Campo Grande, que é o mais populoso da Zona Oeste. Com ele, a possibilidade de áreas para a prática de esportes cresceu, já que áreas de parque ficam afastadas da população do bairro, como é o caso do Parque de Madureira (35km), do Aterro do Flamengo (50km) e, ainda mais afastado, do Parque dos Patins (55km). Foi com a construção do Parque Oeste que o patinador amador Betho Nascimento, de 38 anos, conhecendo bem essa realidade – por estar inserido nela – decidiu criar o grupo Zona Oeste Patins, cujo objetivo é mobilizar e promover a prática do esporte, agora que há um lugar adequado. 


Em entrevista, Betho conta que a sua relação com as quatro pequenas rodas já é de longa data e surgiu em um período de sua vida em que se via sozinho, sem círculos sociais. E foi a partir do patins que Betho viu a oportunidade de unir uma prática de lazer ao esporte e à sociabilidade: “Foi com o patins que eu desenvolvi meu lado social. Eu ajudo pessoas, eu escuto as pessoas que tenham alguma questão com patins. A patinação pra mim não é só um esporte. Eu não sei nem definir o que é”, comentou Betho. “É parte da minha terapia. Eu ocupo minha mente, faço coisas, eu ajudo pessoas, eu crio laços de amizade, participo de uma comunidade. É uma série de coisas que vai muito além do esporte!”


E a boa relação com o patins e o Parque Oeste não é algo particular do Betho. Carolinda Gil, de 36 anos, também conta que a prática auxilia ela na manutenção da depressão e ansiedade, além da constância em manter uma rotina ativa. Para Carolinda, o Parque Oeste foi essencial para que esse hobby se mantivesse: “Sempre tive que ir a lugares longe, porque na Zona Oeste não tínhamos lugares bons para patinar, minha modalidade preferida é o urban (um estilo de patinação voltado para andar pela cidade) e o parque ajuda nos treinos, já que não temos ciclovias na Zona Oeste para andarmos com segurança”, desabafou Carolinda, que também faz parte do grupo de Betho. 


A importância do grupo 

O que começou como uma ideia de reunir pessoas para a prática conjunta se tornou quase uma rede de apoio. Betho conta que criou o grupo com a intenção de criar um espaço coletivo mais perto das pessoas da Zona Oeste, onde o deslocamento para patinar não fosse tão difícil, para o outro lado da cidade. Com encontros periódicos, aulas de incentivo e ajuda com quem quer iniciar no esporte, o Zona Oeste Patins também foi pensado para estimular uma convivência social com o público-alvo que busca aprender depois da vida adulta, assim como foi o caso do próprio Betho: “Os 30+, 40+ já trabalham, têm sua vida, suas famílias… Acabam perdendo os círculos sociais por conta da correria do dia a dia. É muito diferente dos mais jovens que possuem outros círculos sociais formados.”


Em certos casos, a prática em grupo se torna uma aliada na tarefa de aprender a patinar. Carolinda, por exemplo, contou que sempre teve muita dificuldade em aprender, mesmo com professores particulares. Porém, foi com a dinâmica de um grupo para compartilhar as conquistas, os momentos e as lições que conseguiu se desenvolver: “Um grupo ajuda muito, mesmo que pareça que o patins é uma atividade individual, não é bem assim que funciona”, reforçou a patinadora. “Às vezes, quem não tem um grupo acaba abandonando o esporte!” 


Precariedade de espaços 

Apesar de hoje terem o Parque Municipal, nem sempre foi assim. A precariedade de calçadas, a falta de ciclovias e ruas estruturadas reduzem muito as opções para a prática do patins. Na maioria das vezes, quem anda de patins tinha que encontrar uma quadra com chão liso e disputar com jogadores de esportes mais populares, como futebol, vôlei e basquete. “Se chega outro grupo na quadra querendo jogar futebol, nós somos meio que obrigados a sair. Nós não somos prioridades”, desabafa Betho, que muitas vezes não consegue andar nas ruas por conta da insuficiência de trajetos adequados. “A prática acaba sendo impossível. Eu ainda tento, mas não dá para levar um iniciante para a rua. Não tem como”.


Com a chegada do Parque, surgiu a oportunidade de o grupo crescer, por conta do maior espaço adequado. Além dos encontros corriqueiros, é comum a promoção gratuita de aulas de instrução para iniciantes e campanhas para fortalecer tanto o grupo quanto o hábito. Enquanto administrador do grupo, Betho ainda cita que a existência de um lugar para centralizar esse público foi muito benéfico: “Agora temos um lugar para trazer as pessoas, é muito mais simples anunciar: ‘quinta, às 19h, no Parque Oeste!’”, conta o patinador. 


Os benefícios da prática 

Mas nem só de socialização vive o patins. A atividade traz muitos outros benefícios para quem se desafia a subir em quatro rodinhas. Segundo especialistas da Oxer, uma das maiores fabricantes de patins do país, a prática recorrente melhora a aptidão física como um todo: melhora a circulação cardiovascular, a mobilidade e coordenação motora, desenvolve músculos do abdômen e da perna. Além disso, reduz o estresse e aumenta a confiança de quem enxerga sua evolução pouco a pouco. 


Carolinda sentiu essas mudanças de perto, já que juntou o sonho de patinar que guardava desde a adolescência, com a necessidade de uma atividade que regulasse seu estresse e ansiedade: “É uma válvula de escape dos meus problemas, me ajuda a manter o corpo em equilíbrio. O patins me ajudou a ter uma constância nos exercícios físicos”, reforça. “As tarefas e demandas da vida adulta exigem muito da gente. É fundamental que adultos tenham seu momento de lazer para viver em uma plenitude de corpo, mente e espírito.” 


Seja para o experiente patinador Betho, seja para a inspirada iniciante Carolinda, o conselho para quem quer começar a patinar é o mesmo: apenas comece! Ambos reforçam que a prática em grupo muda completamente a experiência e ajuda a criar resiliência e progredir no desenvolvimento: “Comece, utilize proteções, caia, levante e cresça com o tempo. O grupo traz esse lugar de companheirismo, cria uma comunidade, que você olha para o lado e tem com quem dividir conquistas e tombos, e se inspirar”, aconselha Betho. “Isso é super importante para quem está começando”.


Publicado por Leandro Climaco

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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