Falta de espaços culturais na Freguesia limita acesso à arte e ao convívio comunitário
- Pedro Athayde
- 26 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de dez. de 2025
Opções são escassas e pouco acessíveis para moradores da região
A Freguesia, bairro tradicional de Jacarepaguá, é conhecida por suas ruas arborizadas e clima de tranquilidade, mas esconde um problema que afeta diretamente a qualidade de vida de seus moradores: a falta de espaços culturais públicos e acessíveis. Em uma região marcada pelo crescimento imobiliário e comercial, a cultura vem perdendo espaço — e isso tem consequências sociais profundas.
Hoje, a maioria das atividades culturais disponíveis na Freguesia acontece em escolas particulares, academias ou igrejas, que não são acessíveis a toda a população. Centros culturais, teatros ou casas de arte públicas praticamente inexistem na região. Para assistir a uma peça, participar de uma oficina de dança ou frequentar uma roda de samba, muitos moradores precisam se deslocar até bairros vizinhos, como Méier, Madureira ou até mesmo Centro.
A professora de artes visuais Luciana Gomes, moradora da região há mais de 20 anos, lamenta a falta de opções. “A gente vê muito talento nas crianças e nos jovens daqui, mas não há espaços para eles desenvolverem isso. O bairro cresceu, mas a cultura ficou esquecida”, afirma.
Em uma de suas entrevistas, Leonel Brizola, ao comentar sobre o desmanche dos CIEPs, escolas que criou em conjunto com Darcy Ribeiro, deixa bem claro que, quanto mais as crianças forem apresentadas a peças culturais, mais bem colocadas na sociedade estarão, tendo a possibilidade de se manter distante da criminalidade, por exemplo. Por mais que isso ocorra em áreas mais carentes da cidade, é possível fazer um paralelo com a área da Freguesia e sua falta de acesso à cultura, confirmando que as crianças poderiam acessar objetos culturais, para além de espaços privados ou até mesmo dentro de condomínios, prejudicando o desenvolvimento, o senso de sociedade e de pertencimento como cidadão do local.
Outro problema é a falta de incentivo a artistas locais. Muitos grupos independentes de teatro, música e dança acabam sem local adequado para ensaios ou apresentações. Por mais que existam apresentações em certos bares, acaba ficando restrito a um público específico. Conversamos com o músico Eduardo Queiroz, que confirma a dificuldade de achar espaços para divulgar seu novo trabalho: “O planejamento acaba ficando comprometido, a gente tenta pensar em fazer algo em retorno para o nosso bairro, tentando reunir amigos e família para curtir o novo álbum, mas as restrições de espaços por aqui por perto acabam afastando muita gente que poderia curtir e prestigiar esse lançamento.”
Enquanto isso, bairros próximos como Madureira, Campo Grande e Realengo têm conseguido movimentar a cena cultural com iniciativas de base comunitária, como rodas de samba, coletivos de teatro e projetos de ocupação de espaços públicos. A diferença, segundo artistas da região, está na organização social e no apoio institucional — algo que a Freguesia ainda busca construir.
Para os moradores, a esperança é que a cultura volte a fazer parte do cotidiano local. “A gente quer ver nossos filhos crescendo com acesso à arte, ao teatro, à música. A Freguesia é um bairro lindo, mas ainda precisa aprender a valorizar o que faz parte da alma de qualquer comunidade: a cultura”, resume Luciana.
Publicado por Gabriel Gatto
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