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Eleita a mais descolada do mundo, Rua do Senado traz cultura e arte à população carioca

  • Carolina de Vasconcelos e Sofia Molinaro
  • 18 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025

Iniciativas independentes de educação, artesanato e música transformam a via em ponto turístico boêmio

Comércio na rua do Senado na tarde de sábado, 6 de dezembro. (Foto: Carolina de Vasconcelos)
Comércio na rua do Senado na tarde de sábado, 6 de dezembro. (Foto: Carolina de Vasconcelos)

Em novembro de 2025, a Rua do Senado ganhou o título de “mais cool do mundo” pela revista inglesa Time Out. A gíria é oriunda do inglês, e pode ser entendida nesse contexto como legal, descolado e descontraído. Localizada na região central do município do Rio de Janeiro, a rua cativa cariocas e turistas graças aos seus bares e restaurantes, às rodas de samba e às atividades culturais presentes na área.


A vibrante rua carioca desbancou endereços em Nova York, nos Estados Unidos; Osaka, no Japão; e Berlim, na Alemanha. A Rua do Senado está nos arredores da Rua do Lavradio e Avenida Mem de Sá, o que influencia na movimentação da região. 


A via se torna uma grande atração da capital fluminense nas manhãs e tardes de sábado, dia em que se torna praticamente uma feira ao ar livre como a da Lavradio. Vendas de artesanato, produções de artistas independentes, objetos de antiquários e apresentações musicais são algumas das atrações que podem ser encontradas ao longo do caminho.


Tendas de artesanato lotam a rua aos sábados. (Foto: Sofia Molinaro)
Tendas de artesanato lotam a rua aos sábados. (Foto: Sofia Molinaro)

O nome da rua se instituiu pelo Senado da Câmara, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro formada por funcionários burocratas na época em que o Brasil ainda era colônia. A rua foi criada em 1789, quando o Senado da Câmara mandou abrir um caminho que ligasse a Rua Espírito Santo (r. Pedro I) ao Morro do Senado (anteriormente chamado de Morro Pedro Dias), que depois de seu desmonte em 1880 tornou-se a Praça da Cruz Vermelha. Na época, a travessa era popularmente conhecida como Beco da Luxúria.


Atualmente, a rua se estende desde a Rua Silva Jardim até a Rua Riachuelo e é um reduto de cultura e deliciosa gastronomia, com muitos bares e músicas. A Prefeitura do Rio, por meio de uma postagem em seu perfil oficial no Instagram, reconheceu a designação dada pela Time Out. Na legenda da publicação, a Prefeitura credita o aumento na popularidade da rua ao programa Reviver Centro, projeto municipal que visa revitalizar os espaços ociosos na região central da cidade.


A escolha da Rua do Senado como a mais legal do mundo ganhou atenção até mesmo de veículos de imprensa internacionais. Durante a apuração desta matéria, a equipe esbarrou com um jornalista filiado à Associated Press, agência de notícias independente e internacional. O repórter estava produzindo imagens justamente para um especial sobre a rua, o que revela o interesse da imprensa estrangeira no novo point carioca.


Arte para a comunidade no Solar

No número 48, encontra-se o Solar, uma instituição de arte e educação colaborativa. O Solar está instalado em um imóvel de uma antiga fábrica da perfumaria Granado reformada, e funciona de maneira independente. O espaço reúne diversos artistas e colaboradores, promovendo uma integração com a comunidade local. 


Exposição “Irradiar: para construir instituições da gente”, em curso no Solar. (Fotos: Carolina de Vasconcelos e Sofia Molinaro)


A instituição, que em 2025 completa 10 anos, abriga exposições abertas ao público, feiras de arte e oficinas de criação artística. Em dezembro desse ano, foi inaugurada também a Sala de Leitura, espaço dedicado a encontros, leituras, pesquisas e trocas.


“A gente tem o compromisso com a comunidade carioca de ser um espaço democrático e ajudar a contribuir com a cultura e a arte”, explica Charlie Onija, assistente de comunicação do Solar.


Além das exposições e oficinas, Charlie adiciona que a instituição tem um projeto em que oferece três meses de residência artística para criadores independentes, no qual os artistas podem utilizar o espaço do Solar para receber orientações, ensino e demais ferramentas para desenvolver suas artes.


Celebração da cultura afro-brasileira no Ateliê Bonifácio

Interior do Ateliê Bonifácio. (Foto: Sofia Molinaro)
Interior do Ateliê Bonifácio. (Foto: Sofia Molinaro)

Logo em frente ao endereço do Solar, a programação cultural se estende até o Ateliê Bonifácio.

Sobrado de dois andares com muito aconchego e conforto na Rua do Senado, 47, o ateliê é um ambiente cheio de animação e conversa. A equipe de reportagem teve a sorte de conversar com Makuenza Suyzes, mãe da fundadora do ateliê Juliana Bonifácio, que contou a história do espaço com muito orgulho na voz.


O ateliê foi idealizado em 2016 quando Juliana Bonifácio, designer de interiores, passava por momentos difíceis com a profissão e acabava de se tornar mãe. A ideia surgiu porque precisava de algo que suprisse rapidamente suas necessidades financeiras e de seu filho. Assim, decidiu fundar um espaço de cultura e comida afro-brasileira na sala de casa.


Posteriormente, Juliana conseguiu alugar o andar em uma casa ao lado da sua e montou seu ateliê. Sua proposta original não era muito bem delineada e a ideia de servir como um espaço cultural foi construída ao passar dos anos. Quando a casa foi reformada, o artista plástico Jambeiro, mais conhecido por seus muros em pontos turísticos da cidade do Rio, fez uma pintura na parede como contribuição para o ateliê.


Como um empreendimento independente, a casa depende muito do apoio de colaboradores. Makuenza conta que, todo mês, recebem muitos turistas que querem conhecer a moda e gastronomia afro-brasileira. Além disso, aos finais de semana, convidam artistas para performar na sacada da casa e em um pequeno palco.  


Artes disponíveis para compra no ateliê. (Foto: Sofia Molinaro)
Artes disponíveis para compra no ateliê. (Foto: Sofia Molinaro)

Makuenza ajuda a filha na cozinha e prepara as chamadas Feijucas, as feijoadas da Juliana, que acontecem aos sábados. “O povo gosta muito. Eu tiro todo aquele caldo roxo do feijão, faço tudo direitinho. E eu amo cozinhar, viu? Tem a feijoada vegana, que eu gosto de fazer mais com feijão vermelho. Aí coloco maxixe e o cogumelo shitake”, narra. De acordo com Suyzes, além das feijoadas com camarão – uma invenção dela –, ela também encomenda empadinhas.


Como recebem muitos turistas, principalmente franceses, Makuenza prepara grandes jantares e já até aprendeu um pouco da língua.


“Tem muitos americanos aqui, franceses. Já estou quase falando a língua. Às vezes as pessoas perguntam o meu nome e eu respondo: Je m’appelle Makuenza (Me chamo Makuenza). A gente vai aprendendo e é um dialeto só”, comenta.


Publicado por Luiza Lara

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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