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CBF anuncia novo calendário do futebol brasileiro para 2026 com temporada ampliada e mudanças radicais nas copas

  • Gabriel Machado e Matheus Rogers
  • 8 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Brasileirão começa em janeiro, Copa do Brasil tem formato expandido e estaduais são encurtados; times da Libertadores ficam de fora dos regionais


Presidente da CBF, Samir Xaud, anuncia mudanças no calendário. (Foto: Agência Brasil)



Em uma movimentação que redefine o ano de 2026 do futebol nacional, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou, em 1º de outubro, o novo calendário para as competições de clubes. A reformulação, uma das mais profundas dos últimos anos, estabelece um Campeonato Brasileiro com início ainda em janeiro, amplia significativamente a Copa do Brasil, cria novas competições regionais e impõe um limite temporal para os torneios estaduais. O objetivo declarado é organizar a temporada, aumentar a renda dos clubes e valorizar as competições nacionais.


A principal liga do país, o Campeonato Brasileiro, terá seu pontapé inicial antecipado para 28 de janeiro, consolidando uma temporada de quase 11 meses de futebol nacional. Com isso, a CBF busca criar uma "janela" mais definida no segundo semestre, reduzindo conflitos de datas com as competições estaduais e regionais. No entanto, a antecipação preocupa quem vive o dia a dia dos gramados. Em entrevista ao GE, Mozart, técnico do Coritiba, manifestou descontentamento: "Estamos no mês 10, com treinos, jogos, críticas e elogios... E pensar que dia 7 de janeiro já temos jogo. Só entende o futebol quem está no chão de fábrica. Quem define essas datas não têm a mínima ideia. E é cobrado desempenho, intensidade...".


Uma das competições que mais sofre alterações é a Copa do Brasil. A partir da próxima temporada, a taça será disputada por 126 clubes (chegando a 128 em 2027) e ganhará duas fases extras, aumentando o número de jogos e, consequentemente, a arrecadação. A mudança mais simbólica está na decisão: as finais deixam de ser em dois jogos e passam a ser disputadas em jogo único, em local predefinido, seguindo o modelo adotado pelas principais copas nacionais da Europa e pela Libertadores.


Para diminuir a sobreposição que historicamente atrapalha os campeonatos nacionais, os estaduais terão seu espaço drasticamente reduzido. Eles serão disputados entre janeiro e março. Em seguida, de março a junho, entram em cena os novos torneios regionais, que ganham mais destaque no calendário. Em coletiva, ao falar sobre a complexa tarefa de reformular todo o ecossistema, o presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou: “O diálogo prevaleceu. Todos entenderam a necessidade de se fazer essa reformulação em todo o ecossistema do futebol”.


O mapa das copas regionais foi totalmente redesenhado. Surge a Copa Sul-Sudeste, unindo clubes das duas regiões mais populacionais do futebol brasileiro. A tradicional Copa Verde dá lugar a uma Supercopa que irá reunir os campeões de duas novas competições: a Copa Norte e a Copa Centro-Oeste. Enquanto a Copa do Nordeste passa a contar com 20 equipes, quatro a mais do que anteriormente.


O projeto de longo prazo da CBF também inclui a expansão das divisões de acesso. A Série C saltará de 20 para 24 clubes, em 2027, e para 28, em 2028. A Série D, por sua vez, terá um aumento expressivo, passando a ter 96 participantes a partir de 2026, abrindo mais vagas para clubes de todos os estados.


Em uma medida que beneficia os clubes com maiores calendários internacionais, a CBF determinou que os times que disputarem a Libertadores e a Sul-Americana estarão isentos de jogar os campeonatos regionais (Sul-Sudeste, Norte, Centro-Oeste e Nordeste). A regra visa preservar essas equipes do desgaste físico excessivo.


As mudanças anunciadas pela CBF representam um divisor de águas para o futebol brasileiro. Se, por um lado, prometem uma organização temporal há muito tempo reivindicada por clubes e torcedores, por outro, impõem um novo ritmo e tradições que serão testadas na prática. A antecipação do Brasileirão, o fim das finais em dois jogos da Copa do Brasil e a contenção dos estaduais são apostas ousadas. 


No evento de anúncio, o presidente Samir Xaud demonstrou confiança no novo calendário: "O que entregamos hoje acredito que seja o melhor para o que nós temos, porque dependemos de outros calendários para fazer o nosso. De acordo com todas as peculiaridades que vocês já conhecem, eu tenho convicção de que esse é o melhor formato. Veremos o resultado disso de 2027 para 2028". Enquanto isso, do outro lado, a voz do "chão de fábrica" ecoa a dificuldade imediata. Mozart complementa: "É um desafio montar calendário, mas jogar 7 de janeiro está longe do ideal. É difícil opinar, pois quero manter minha energia e meu foco nessa reta final, mas é duro até para planejar uma pré-temporada. Não é uma tarefa simples".


Agora, o mercado e o torcedor devem se adaptar à nova realidade do calendário, que começa a valer já na próxima temporada, prometendo um futebol brasileiro mais dinâmico e, na visão da entidade, mais lucrativo.


Publicado por Isabella Topfer


Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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