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O crescimento recorde do microempreendedorismo em 2025: confiança e desafios no cenário econômico

  • Alice Rodrigues e Nicole Galvão
  • 18 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025

Brasil bate recorde histórico na abertura de pequenos negócios


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil consolidou o ano de 2025 como um marco para o empreendedorismo de pequeno porte. Dados divulgados pelo governo e por indicadores de mercado mostram uma tendência robusta de formalização e crescimento, impulsionada principalmente pelos Microempreendedores Individuais (MEIs).


Entre janeiro e novembro de 2025, o país registrou a abertura de 4,6 milhões de novos pequenos negócios, um número que já supera os 4,1 milhões criados em todo o ano de 2024. Este resultado representa um crescimento expressivo de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando o melhor desempenho da série histórica.


A força desse movimento está concentrada nas categorias mais acessíveis de formalização: os pequenos negócios representam 97% das empresas abertas no país em 2025. Desse total, os MEIs dominam, respondendo por 77% das novas aberturas, seguidos pelas microempresas (19%) e empresas de pequeno porte (4%).


Análise dos dados de crescimento e formalização

O crescimento foi notável em quadrimestres específicos. No segundo quadrimestre de 2025 (entre maio e agosto), foram abertas 1,67 milhão de novas empresas, representando um avanço de 14,1% na comparação com o mesmo período de 2024. O país encerrou o período com 24,2 milhões de empresas ativas, sendo que 93,8% delas são micro e pequenas empresas. Dentro desse universo, os MEIs totalizam 12,6 milhões de registros.


O tempo médio para a abertura de uma empresa manteve-se baixo, em 21 horas, um indicador da efetividade das medidas de simplificação e transformação digital implementadas.


Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Sebrae, Décio Lima, atribui esse crescimento a fatores como a “situação de pleno emprego e inflação sob controle", afirmando que o empreendedorismo reflete a confiança dos empresários no cenário econômico e é uma "porta para inclusão, geração de empregos e renda".


Setores e distribuição regional

O crescimento do empreendedorismo está disperso geograficamente e concentra-se fortemente em serviços.


O setor de serviços respondeu por 64% das novas empresas abertas até novembro de 2025. A abertura de MEIs neste segmento, especificamente, cresceu 24,5% em comparação com 2024. Em seguida, aparecem o comércio (21%) e a indústria (7%).


Entre as atividades com maior número de novos Microempreendedores Individuais, destacam-se:

  • Atividades de malote e entrega (9%).

  • Transporte rodoviário de carga (7%).

  • Atividades de publicidade (6%).

Embora o Sudeste lidere em volume de novos negócios, o saldo entre aberturas e fechamentos foi positivo em todas as unidades da federação, com participação expressiva também do Nordeste e do Norte, sinalizando que o empreendedorismo se espalha por todo o Brasil. Os estados que mais registraram aberturas foram São Paulo (29%), Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8%).


Desafios e impacto da taxa de juros

Apesar do forte crescimento na formalização, a atividade econômica dos pequenos negócios enfrentou desafios macroeconômicos em 2025.


Em outubro, a atividade avançou 2,66% na comparação mensal com setembro, um aquecimento associado à preparação para datas sazonais importantes, como Black Friday e Natal. Contudo, o Índice SumUp do Microempreendedor revelou uma queda de 7,08% na comparação com o mesmo período de 2024 (comparação interanual).


Para a CNN Brasil, a economista Lilian Parola atribui essa queda anual ao cenário de juros altos, com a taxa básica em 15% ao ano. Segundo ela, a alta taxa de juros, motivada por desafios macroeconômicos, "continua a impactar o poder de compra dos brasileiros e a restringir um crescimento mais robusto para os microempreendedores".


O acesso ao crédito como foco de apoio

Em um cenário no qual o acesso ao capital é crucial para o investimento e o reforço de estoques, programas de apoio ao crédito continuam a ser um foco. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou em anos anteriores a possibilidade de microempresas e MEIs acessarem a segunda edição do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC-FGI), na modalidade garantia. Esse programa visa apoiar o empreendedorismo, ampliando o acesso ao crédito para aqueles que têm maior dificuldade em oferecer garantias ao sistema bancário.


Nesses termos, 2025 demonstrou um entusiasmo notável pelo empreendedorismo, especialmente entre os MEIs, refletido em números recordes de abertura. Contudo, o setor continua a navegar por um ambiente de alta taxa de juros, que, embora não impeça a formalização, restringe um crescimento ainda mais potente em termos de atividade econômica.


Publicado por Luiza Lara

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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