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Jovem curitibana cria app para verificação de antecedentes criminais de parceiros

  • Esther Ferreira
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de dez. de 2025

Criação da plataforma Plinq foi inspirada pela jornalista Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio em fevereiro deste ano


Sabrine Matos alcançou 17 mil usuários no aplicativo Plinq. (Foto: divulgação)
Sabrine Matos alcançou 17 mil usuários no aplicativo Plinq. (Foto: divulgação)

Diante da quantidade de notícias de feminicídio e violência doméstica que circulam diariamente, investir em novos relacionamentos virou um jogo perigoso, em especial para mulheres. Mas e se fosse possível descobrir se há algo de errado com uma pessoa antes mesmo de qualquer envolvimento? Foi a partir desse questionamento que a curitibana Sabrine Matos, 29, desenvolveu a Plinq, plataforma voltada à proteção das mulheres. 


Tudo começou em fevereiro deste ano, quando um caso de feminicídio de grande repercussão inspirou a ideia que deu vida ao aplicativo. A jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi morta a facadas pelo ex-noivo, Caio Nascimento, em Campo Grande (MS), poucas horas depois de ter uma medida protetiva concedida. Quando fez o boletim de ocorrência contra o ex-parceiro, descobriu que sua ficha criminal era extensa. Caio tinha registro de agressão contra mãe e irmã, além de outros sete pedidos de medida protetiva; ao todo, eram 14 processos de violência doméstica contra mulheres.


“Ela deixou dois áudios e em um deles ela fala que se soubesse [da ficha criminal], nunca teria se relacionado com ele. Ali foi o primeiro start, pensei: ‘Por que ela não sabia se isso é um dado público?’ Porque não é de fácil acesso. Então, como que a gente pode deixar isso de fácil acesso?”, conta Sabrine Matos.


A resposta é um aplicativo que, com poucos cliques, permite o acesso aos antecedentes criminais de qualquer pessoa de maneira anônima. Basta informar o nome completo e o número de telefone para que seja possível descobrir se um namorado, médico, professor ou qualquer outra pessoa do convívio possuem histórico de violência, mandados de prisão e outros processos criminais. 


Com uma boa ideia em mente, nem mesmo a falta de familiaridade com programação impediu a empreendedora de levar o aplicativo adiante. “Tanto eu quanto meu sócio somos especialistas em growth, que é em Marketing, nós não somos programadores”, explica a curitibana. Segundo Sabrine, a Plinq foi criada totalmente com inteligência artificial, por meio da plataforma Lovable.


A Plinq promete uma varredura completa dos dados da pessoa pesquisada, garantindo o sigilo de seus usuários. (Foto: divulgação/Plinq)
A Plinq promete uma varredura completa dos dados da pessoa pesquisada, garantindo o sigilo de seus usuários. (Foto: divulgação/Plinq)

O aplicativo trabalha somente com bases de dados públicas, em acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). “A gente usa APIs (Interfaces de Programação de Aplicação) para ter acesso ao que é publicado pelos tribunais de justiça do Brasil inteiro”, conta Sabrine. Dessa forma, ao cadastrar as informações necessárias para que seja possível cruzar os dados sobre a pessoa procurada, a plataforma lê o processo, cria um resumo e sintetiza as informações mais importantes da ficha.


De acordo com o levantamento elaborado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado Federal, quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2025, foram registrados 718 feminicídios no país, além de 33.999 estupros, uma média de 187 por dia. Os altos índices de violência e o consequente sentimento de insegurança entre as mulheres podem estar associados à ascensão rápida de plataformas como a de Sabrine — entre seu lançamento, em junho de 2025, até novembro do mesmo ano, o número de assinantes chegou a 17 mil.


No site do aplicativo, usuárias relatam experiências de uso: "A Plinq revelou que o cara com quem fiz match tinha múltiplas acusações de violência doméstica. Não consigo imaginar o que poderia ter acontecido se eu não tivesse verificado primeiro”, conta Sarah, assinante da plataforma. 


Atualmente, a assinatura anual da Plinq custa R$ 97, pouco mais de R$ 8 por mês. Com esse plano, é possível fazer consultas de forma ilimitada e receber alertas com atualizações de status, sob garantia de sigilo — a pessoa não saberá quem buscou por seu histórico, nem se teve seu nome buscado.  Além disso, também é possível fazer uma pesquisa única por R$ 27.


Publicado por Renan Mariath

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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