O bolso do universitário: estágios, endividamento e custo da formação
- Ana Luiza e Giulianne Sena
- 3 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de dez. de 2025
Mesmo com melhoras nos índices econômicos, estudantes enfrentam dificuldades em ingressar e se estabelecer no mercado de trabalho

O cenário econômico brasileiro vem impondo desafios cada vez maiores aos jovens universitários. Mesmo com a leve recuperação dos índices de emprego, muitos brasileiros seguem presos em um ciclo de baixa renda, alto custo de vida e endividamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego atingiu 5,6% no trimestre encerrado em julho de 2025, o menor nível desde 2012. Ainda assim, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), cerca de 40% dos jovens entre 18 e 24 anos têm dificuldade de inserção estável no mercado de trabalho.
Entre os universitários, o cenário é ainda mais desafiador. A remuneração dos estágios, principal porta de entrada para o mercado de trabalho, raramente acompanha o custo da formação e da vida independente.
Segundo a revista Forbes, a bolsa-auxílio média de estagiários de graduação no Brasil é de 1582 reais, variando a depender da área e região do país. Em capitais onde o custo de vida é elevado, o valor mal cobre despesas básicas como moradia, transporte e alimentação.
O resultado é que o estágio, que deveria ser uma etapa de aprendizado, transforma-se, muitas vezes, em uma fonte de renda insuficiente e vulnerável.
“Embora o estágio seja essencial para a experiência profissional, a remuneração não garante autonomia financeira para a gente”, relata o aluno Henrique Soares, estudante de Relações Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Além da renda limitada, muitos estudantes enfrentam o peso das mensalidades nas universidades privadas. Um levantamento da Serasa mostra que 44% dos alunos já chegaram a trancar o curso por falta de dinheiro para se manter na universidade.
O problema, no entanto, não se limita à educação. A mesma pesquisa indica que a maioria dos estudantes endividados acumulam também dívidas com cartão de crédito e empréstimos pessoais, evidenciando um padrão de endividamento múltiplo.
As consequências vão além do financeiro. Segundo o mesmo levantamento do Serasa, 24% dos endividados relatam dificuldades de concentração nas aulas devido às contas atrasadas. O endividamento está diretamente ligado ao aumento da ansiedade e do estresse entre jovens universitários.
Caminhos para escapar da armadilha
Nath Finanças, conhecida entre o público jovem por suas dicas de controle financeiro, dá orientações nas redes digitais de como agir de maneira responsável com o próprio salário. Mapear os custos mensais e identificar onde pode economizar, reduzir custos fixos, como dividir moradia, usar transporte público ou aproveitar descontos estudantis são algumas das dicas recorrentes da influenciadora. Ela também alerta para o uso do cartão de crédito, recomenda a utilização de cartões sem anuidade, e principalmente para não enxergar o cartão de crédito como renda extra.
Educação financeira: a chave para quebrar o ciclo
A educação financeira deve ser encarada como uma ferramenta de emancipação. Quando o estudante entende como planejar, poupar e evitar o endividamento, ele passa a ter mais controle sobre o presente e o futuro.
A vida universitária marca o início da independência e, com isso, chegam as primeiras decisões financeiras importantes. Saber administrar o próprio dinheiro, controlar gastos e fugir das dívidas é tão essencial quanto o aprendizado em sala de aula.
Em um país no qual o custo da formação é alto e o salário inicial é baixo, aprender a lidar com o dinheiro pode ser o diferencial entre quem se mantém fiel ao Serasa e quem consegue fugir dele. Mais do que números, trata-se de construir uma relação saudável com o próprio futuro.
Publicado por Davi Guedes
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