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Eli Lilly atinge US$ 1 trilhão em valor de mercado

  • Pedro Athayde
  • 17 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025

Empresa levanta debate acerca da cultura do emagrecimento, em meio ao “boom” de canetas emagrecedoras


Em 21 de novembro, a Eli Lilly surpreendeu o mercado global: tornou-se a primeira farmacêutica a alcançar o valor de mercado de US$ 1 trilhão, feito que era reservado até então a gigantes da tecnologia.


O salto expressivo vem sobretudo da demanda crescente por medicamentos para obesidade e diabetes: com o sucesso de Mounjaro (voltado originalmente ao tratamento da diabetes tipo 2) e seu “irmão” de mercado para emagrecimento, Zepbound.


No trimestre mais recente, a receita combinada da empresa com os portfólios de obesidade e diabetes ultrapassou os US $10,09 bilhões, mais da metade da receita total da companhia.


Sucesso comercial, lucro bilionário e nova “febre” da magreza

O crescimento explosivo de vendas e da valorização das ações da Eli Lilly (alta de mais de 35% no ano) revela que o mercado enxerga nos medicamentos para emagrecimento uma mina de ouro.


Mas esse sucesso também coincide com um contexto global em que a busca pelo corpo “ideal”, muitas vezes associado à magreza extrema, intensifica-se. Medicamentos como Mounjaro/Zepbound passam a ser encarados por parte do público não apenas como medicamentos para saúde (obesidade, diabetes), mas como um atalho rápido para atingir padrões estéticos.


Isso suscita uma reflexão importante: até que ponto esse mercado extraordinariamente lucrativo reforça e lucra com, sem questionar, uma cultura de pressão por emagrecimento, muitas vezes pautada em padrões irreais de corpo, saúde e estética?


Riscos de saúde, dependência do lucro e papel da indústria farmacêutica

Embora essas drogas possam representar avanços para pessoas com obesidade ou diabetes, há críticas de especialistas acerca dos perigos relacionados ao mal uso dessas canetas, como explica a médica pediatra Márcia Pinheiro: “As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos que não foram criados com foco estético, mas para tratar condições clínicas específicas, como o diabetes tipo 2.” Ela completa que “o emagrecimento acontece como um efeito secundário, e não como objetivo principal do tratamento.” 


A médica afirma que a comercialização em massa e o marketing podem incentivar o uso indiscriminado por pessoas sem indicação clínica, apenas motivadas por estética, culpando influenciadores que recomendam o medicamento.


Há o risco de que o “desejo de emagrecimento” impulsionado por ideais sociais se transforme em um “gancho” para a indústria farmacêutica: ao tornar o emagrecimento um “produto”, com alto valor de mercado, concentra-se lucro em cima da insegurança corporal alheia.


Além disso, tratamentos médicos têm custos, efeitos colaterais, e demanda — idealmente — por avaliação e acompanhamento médico e nutricional: reduzir o processo de perda de peso a uma “solução rápida” pode invisibilizar os fatores sociais, alimentares, psicológicos e estruturais que influenciam a obesidade.


A magnificação de um mercado e o impacto de longo prazo

O fato de a Eli Lilly ter ultrapassado US$ 1 trilhão em valor de mercado demonstra não apenas a força comercial dos medicamentos para emagrecimento e diabetes, mas também quão lucrativo esse segmento se tornou.


Mas esse sucesso exige responsabilidade: com as opiniões da médica ouvida e os perigos assinalados, é necessário que não só as empresas, mas também os influenciadores e as áreas de marketing se preocupem mais sobre se é correto e saudável a propaganda de um medicamento, que tem o propósito de tratar diabetes, transformar-se em uma ferramenta para agilizar o processo de emagrecimento. A situação se agrava porque esses propósitos estéticos envolvem riscos, em uma sociedade que levanta o debate da magreza extrema como um padrão necessário da beleza, como se via em campanhas de marcas de beleza famosas durante o início dos anos 2000.


Enquanto o lucro se expande, cabe um debate sobre ética, bem-estar e os riscos de transformar a saúde em tendência de mercado. Assim como ocorre em vários exemplos, principalmente com influenciadoras com corpos “perfeitos”, modelos e outras figuras de destaque na sociedade.

Publicado por Gabriel Gatto

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

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