top of page

Burnout é cada vez mais comum em universitários: entenda a doença e quando procurar ajuda

  • Gisele Veríssimo e Laura Machado
  • 3 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de dez. de 2025

Estudantes que também trabalham estão propensos à chamada Síndrome de Esgotamento Profissional; prazos e sobrecarga são alguns dos gatilhos


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Comecei a ter insônia, pensamentos acelerados e, mesmo o corpo estando cansado, eu não conseguia dormir. Depois teve a questão do rendimento. Não ligava mais a câmera e tinha crises de choro nas reuniões. Parecia que eu ia explodir. Teve um dia que eu não consegui respirar”.


O depoimento é de Juliana Nascimento, estudante de Jornalismo na Uerj. Juliana é mãe, universitária, estagiária e trabalha como trancista nos fins de semana. Na pandemia, dividiu a atenção entre essas atividades, além de trabalhar no secretariado de um projeto social. Segundo ela, a realidade foi muito mais complexa do que imaginava: tinha que lidar com todas as pressões que a pandemia causou, os medos, o fato de estar isolada em casa. Não se sabia como seriam as aulas remotas, pois o ensino sempre foi presencial. Além disso, precisou lidar com as angústias da filha adolescente, presa em casa, sem o convívio com outras pessoas. 


Por estar em quarentena, Juliana acabou assumindo um fluxo de trabalho muito maior: “Eu quis ser a melhor mãe, naqueles momentos de angústia pelos quais minha filha estava passando. Quis ser a melhor aluna, mesmo no formato remoto, e a melhor profissional. Peguei atividades que eu não iria dar conta, estava dormindo mal, pegando muitas demandas no trabalho e na faculdade, e pifei”, narra.


Assim como Juliana, milhares de universitários precisam trabalhar enquanto cursam o ensino superior. Segundo a Folha Dirigida, em 2019, 48,3% dos universitários da rede privada tinham dupla jornada. Já no ensino público, a proporção é de 36,7%


O excesso de demandas pode causar uma sobrecarga: em alguns casos, como no fim do semestre, as provas, os trabalhos e as outras obrigações vão se misturando às responsabilidades cotidianas. Para os universitários que estudam e trabalham, essa é uma realidade que traz consequências para a saúde física e emocional. 


Dados alarmantes

Estudos apontam que um grande número de estudantes universitários no Brasil sofre com questões de saúde mental. De acordo com a pesquisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), de 2019, aproximadamente 30% dos estudantes universitários apresentam sinais de transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Esta última é um dos distúrbios mais comuns entre os universitários, afetando cerca de 45% dos estudantes conforme uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).


Os fatores que contribuem para esses altos índices de transtornos mentais em universitários são diversos. Alguns dos principais incluem a pressão acadêmica, pois nesse ambiente existe muita expectativa relacionada a desempenho, prazos e avaliações. Muitos alunos, principalmente aqueles que se mudam para estudar em outra cidade, sentem-se sozinhos e têm dificuldade em se adaptar ao espaço universitário.


Como pedir ajuda



O acompanhamento psicológico foi essencial para Juliana. Ela conta que procurou ajuda para saber o que estava acontecendo. “Precisei me afastar do trabalho, peguei uma licença. Eu demorei para entender que eu não conseguia lidar com aquilo. Achava que, se eu respirasse mais devagar, eu conseguiria parar de chorar. Era muito aterrorizante perceber que eu não estava tendo controle do meu corpo. Fiquei três meses afastada, sem condições de trabalhar”.


Agora, por causa da terapia, Juliana consegue identificar quando está permitindo os excessos e significa que precisa trabalhar essas questões novamente. Mesmo em um contexto não pandêmico, ela ainda tem diversas obrigações, como entregas de trabalhos, estágio, serviços extras no fim de semana, demandas com a filha adolescente e, por muitas vezes, acaba se negligenciando. Ela conta que se esforça para ter momentos de lazer e encaixar um horário do dia para si mesma. 


Algumas alternativas terapêuticas possíveis são “a realização de atividades que ‘fujam’ à rotina diária, como passear, comer em restaurantes ou ir ao cinema, prática de atividades físicas regulares, evitar a automedicação, bem como o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas, cuidar da saúde mental com psicoterapia e passar tempo de qualidade com amigos e familiares”, explica a psicóloga Bárbara Almeida.


Nas universidades, a acessibilidade ao suporte psicológico ainda é limitada, o que pode piorar a situação dos estudantes com questões de saúde mental. Diante disso, a Uerj implementou um conjunto de ações, incluindo a consolidação do Comitê da Política de Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Comaps) e a realização de um censo interno para identificar a prevalência de sofrimentos psíquicos entre os estudantes. O objetivo central é construir, de forma coletiva e participativa, uma política institucional para a Universidade. 


Na mesma instituição, o Projeto Chega Mais, Uerj oferece semanalmente um grupo de escuta, acolhimento e acompanhamento de questões que impactam a vida acadêmica e a permanência estudantil na Universidade. O grupo funciona como espaço de acolhimento e é aberto, podendo o estudante retornar quando achar necessário. O projeto ocorre toda semana, em datas e horários alternados: às segundas, de 16h às 17h30, e às quintas, de 10h às 11h30.


Serviço Chega Mais, Uerj!

Dias de funcionamento e horários: todas as segundas-feiras, de 16h às 17h30 e às quintas-feiras, de 10h às 11h30.

Local: sala de atendimento do Daspb

Rua São Francisco Xavier, 524 – 2º andar - Bloco E – sala 2013 – Campus Maracanã

Telefone: (21) 2334-0983 


Publicado por Davi Guedes

Faculdade de Comunicação Social | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

bottom of page